{"id":151,"date":"2020-10-19T22:37:04","date_gmt":"2020-10-20T01:37:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.longevos.com.br\/mp\/?page_id=151"},"modified":"2020-10-22T22:52:43","modified_gmt":"2020-10-23T01:52:43","slug":"como-o-tema-do-envelhecimento-me-fisgou","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/martapessoa.blog.br\/index.php\/como-o-tema-do-envelhecimento-me-fisgou\/","title":{"rendered":"Como o tema do envelhecimento me fisgou"},"content":{"rendered":"\n<p>Depois da experi\u00eancia pessoal de cuidar, por mais de 20 anos, de familiares que entraram na velhice em meio ao meu completo desconhecimento sobre o assunto e consequente despreparo para apoi\u00e1-los, entender a velhice deixou de ser uma op\u00e7\u00e3o e passou a ser uma prem\u00eancia. No exerc\u00edcio desta atividade, a conviv\u00eancia di\u00e1ria com toda sorte de situa\u00e7\u00f5es do cotidiano de um idoso de quem cuidamos e a quem nos \u00ad &#8211; quarentona espremida entre filhas adolescentes, sa\u00fade comprometida e vida profissional conturbada &#8211; j\u00e1 estavam envolvidos no tema e podiam trocar alguma viv\u00eancia comigo. N\u00e3o havia como conversar, compartilhar d\u00favidas, dividir esfor\u00e7os e ideias. Parecia que somente eu tinha este tipo de problema para resolver. N\u00e3o havia livros, programas de televis\u00e3o, sites, associa\u00e7\u00f5es, nada que me suprisse de conselhos e orienta\u00e7\u00f5es. Ou ser\u00e1 que o peso da nova tarefa era tal que n\u00e3o me deixava ver o que havia em volta? Desconfio que n\u00e3o, que n\u00e3o havia mesmo uma maneira simples de buscar e encontrar apoio. S\u00f3 nestes recentes \u00faltimos anos, a velhice entrou na pauta dos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Antes disto, achar a turma que estava imersa no mundo do cuidado com o idoso era bem dif\u00edcil. Reunir estas informa\u00e7\u00f5es era t\u00e3o trabalhoso que o autodidatismo pareceu ser a \u00fanica sa\u00edda para mim.<br>Fui, aos poucos, desenvolvendo m\u00e9todos e solu\u00e7\u00f5es caseiras para realizar este cuidado a dist\u00e2ncia. Aprendi a montar uma rede de apoio e a me valer da tecnologia para monitorar o dia a dia dos meus idosos. Sem a internet, teria sido invi\u00e1vel a administra\u00e7\u00e3o remota de uma casa onde viviam pessoas sem autonomia para cuidar de si mesmas. Errei muito mas tamb\u00e9m realizei muita coisa interessante e aprendi aos montes.<\/p>\n\n\n\n<p>No ano que passou (2015), achei que seria bom poder falar sobre a velhice que eu conhe\u00e7o para uma plateia mais ampla e divulgar a experi\u00eancia que adquiri. Reuni amigas e fizemos um blog, o Mundo Prateado (mundoprateado.com), cujo nome homenageia as pessoas de cabelos grisalhos, aparentes ou disfar\u00e7ados, que est\u00e3o nesta nova fase da vida. L\u00e1 conversamos sobre a velhice desde um ponto de vista realista, sem romantismo mas com uma atitude positiva. L\u00e1 defendemos que a velhice pertence a todos n\u00f3s, aos velhos e a seus filhos ou amigos. L\u00e1 pensamos a rede que deve apoiar a velhice, pensamos na vida dos velhos e em quem se interessa por querer ajudar a construir um mundo digno para os prateados. L\u00e1 experimentamos fazer coisas que auxiliem esta rede de cuidados.<\/p>\n\n\n\n<p>Envelhecer \u00e9 viver e sendo assim, demanda for\u00e7a, energia e intelig\u00eancia. Sendo velhos ou cuidando deles \u00e9 essencial falar sobre o tema e procurar nossos pares. Conversando seremos capazes de enfrentar a velhice dos nossos, ou a nossa pr\u00f3pria, mais preparados e apoiados.<\/p>\n\n\n\n<p>Na busca deste entendimento, sempre pairava no ar a d\u00favida de como ser\u00e1 envelhecer, daqui a alguns anos, com o mundo t\u00e3o mudado. As fam\u00edlias j\u00e1 tem, em sua maioria, novas configura\u00e7\u00f5es com pais separados, em novos casamentos ou n\u00e3o, e com filhos e enteados morando longe. H\u00e1 os que optaram por n\u00e3o ter filhos e os que constru\u00edram fam\u00edlias que expressam novas vis\u00f5es de vida. O mundo mudou e com ele o conceito de fam\u00edlia, a institui\u00e7\u00e3o a quem sempre coube a maior parte da responsabilidade por cuidar dos seus idosos. Fica cada vez menos vi\u00e1vel, para muitos, estar perto de filhos ou amigos que deem uma ajuda quando come\u00e7ar a ficar dif\u00edcil se desincumbir das tarefas do dia a dia. A quem vamos poder recorrer quando precisarmos de cuidados intensivos ou n\u00e3o, provis\u00f3rios ou permanentes?<\/p>\n\n\n\n<p>Esta pergunta que, sem floreios, se resume a \u201ccomo ser\u00e1 a vida na velhice, daqui a alguns anos?\u201d passou a dominar minha curiosidade e a perseguir respostas. Al\u00e9m das respostas, tamb\u00e9m queria saber das solu\u00e7\u00f5es para uma velhice bem cuidada. O tipo de cuidado que proporcionei aos meus idosos n\u00e3o ser\u00e1 vi\u00e1vel para mim ou para a grande maioria dos brasileiros. Cuidado intensivo, 24 horas por dia, durante o tempo de vida que pode nos restar quando n\u00e3o formos mais aut\u00f4nomos e, sim, completamente dependentes, \u00e9 uma alternativa para poucos. Faltar\u00e3o \u00e0s fam\u00edlias tempo e dinheiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Com uma vis\u00e3o otimista de que temos a nosso alcance tecnologia, inova\u00e7\u00e3o social e capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o, comecei a busca por este desenho de velhice com futuro.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-3d\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"http:\/\/www.martapessoa.blog.br\/index.php\/o-que-seria-uma-velhice-com-futuro\/\" rel=\"http:\/\/www.martapessoa.blog.br\/index.php\/velhice-mundo-afora\/\">Pr\u00f3ximo<\/a><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"http:\/\/www.martapessoa.blog.br\/index.php\/velhice-mundo-afora\/\" rel=\"\">\u00cdndice<\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois da experi\u00eancia pessoal de cuidar, por mais de 20 anos, de familiares que entraram na velhice em meio ao meu completo desconhecimento sobre o assunto e consequente despreparo para apoi\u00e1-los, entender a velhice deixou de ser uma op\u00e7\u00e3o e passou a ser uma prem\u00eancia. 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