{"id":268,"date":"2020-10-22T22:11:20","date_gmt":"2020-10-23T01:11:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.longevos.com.br\/mp\/?page_id=268"},"modified":"2020-10-24T13:19:18","modified_gmt":"2020-10-24T16:19:18","slug":"o-brasil-para-os-velhos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/martapessoa.blog.br\/index.php\/o-brasil-para-os-velhos\/","title":{"rendered":"O Brasil para os Velhos"},"content":{"rendered":"\n<p>Envelhecer \u00e9 uma coisa nova, no Brasil. E n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, para muitos. A expectativa de vida por aqui, nos idos de 1960, era de 48 anos. Nesta \u00e9poca, a chance do brasileiro morrer antes de envelhecer era alt\u00edssima e os idosos eram exce\u00e7\u00e3o. O Brasil era um pa\u00eds de jovens, o pa\u00eds do futuro. Em 1980, a expectativa de vida subiu para 62,5 anos e, a partir de ent\u00e3o, come\u00e7ou a ser gestada uma popula\u00e7\u00e3o idosa, considerando-se a marca de 60 anos como o divisor entre a juventude e a velhice.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2010, o censo do IBGE j\u00e1 indicou 73,7 anos como sendo a expectativa de vida e agora se diz que este valor aumenta em 4 meses, a cada ano. Sendo assim, \u00e9 muito prov\u00e1vel que, em 2020, a expectativa de vida esteja no patamar de 80 anos e j\u00e1 seja poss\u00edvel contabilizar cerca de 30 milh\u00f5es de pessoas com mais de 60 anos, numa popula\u00e7\u00e3o total prevista para 212 milh\u00f5es. Al\u00e9m de viver mais, os brasileiros est\u00e3o tendo menos filhos. O n\u00famero de filhos m\u00e9dios por mulher diminuiu de 6,3 descendentes para 1,9 no per\u00edodo entre 1960 e 2010. O reflexo dessa tend\u00eancia \u00e9 um envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Muita estat\u00edstica para dizer que marchamos a passos c\u00e9leres para uma situa\u00e7\u00e3o em que um percentual expressivo da popula\u00e7\u00e3o brasileira ser\u00e1 de idosos, num pa\u00eds que sabe pouco sobre o envelhecer e suas demandas. A parcela da popula\u00e7\u00e3o entre 18 e 60 anos ter\u00e1, certamente, entre seus familiares e amigos algu\u00e9m requerendo os cuidados t\u00edpicos da condi\u00e7\u00e3o de idade avan\u00e7ada.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma caracter\u00edstica demogr\u00e1fica que apresenta desafios completamente novos.<\/p>\n\n\n\n<p>Acrescido a isto h\u00e1 o fato de termos envelhecido antes de ter solidez econ\u00f4mica. A velhice custa mais caro do que a juventude.<\/p>\n\n\n\n<p>No contexto individual, s\u00f3 come\u00e7amos realmente a pensar no tema da velhice quando ela nos chega atrav\u00e9s de nossos pais, cobrando uma reflex\u00e3o sobre todas as mudan\u00e7as que ela passa a impor. Em algum momento, nos damos conta de algo mudou e que a vida est\u00e1 diferente para eles e para n\u00f3s. A partir da\u00ed, parece que para onde olhamos vemos idosos. E a\u00ed, o tipo de perguntas que passam a frequentar nossas preocupa\u00e7\u00f5es s\u00e3o: eles moram sozinhos? como resolvem a parte pr\u00e1tica de suas vidas? cuidam de si mesmos? d\u00e3o trabalho a seus filhos? Ato cont\u00ednuo, somos v\u00edtimas do efeito espelho: somos os pr\u00f3ximos a envelhecer. Vamos tendo consci\u00eancia de como sabemos pouco sobre a velhice e de como estamos despreparados para enfrent\u00e1-la nos outros e, tamb\u00e9m, quando chegar a nossa vez.<\/p>\n\n\n\n<p>No contexto coletivo, o fato \u00e9 que popula\u00e7\u00e3o idosa cresce e vai demandar provid\u00eancias que talvez ainda n\u00e3o tenham sido desenhadas pelo poder p\u00fablico, significando que a sociedade, em geral, e as fam\u00edlias, em particular, ter\u00e3o papel importante na gera\u00e7\u00e3o de abordagens para este novo cen\u00e1rio. S\u00e3o poucas as pol\u00edticas p\u00fablicas efetivas para se garantir a qualidade de vida das pessoas a partir de 60 anos de idade, hoje e no futuro pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p>Vivemos num pa\u00eds que assimilou o culto \u00e0 juventude. S\u00f3 interessa o que a ela est\u00e1 associado e a ela se atribui a chave para uma vida exitosa e feliz. N\u00e3o h\u00e1 lugar para a velhice e sua falta de glamour. No entanto, a velhice agora passa a ser nossa realidade demogr\u00e1fica e quanto mais a negarmos mais pesada ela ser\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto os pa\u00edses da Europa e dos EUA j\u00e1 vem se defrontando com esta situa\u00e7\u00e3o h\u00e1 muito mais tempo e se preparando para atender \u00e0s condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias, aqui mal come\u00e7amos a nos debru\u00e7ar sobre a quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o inteiramente nova para um pa\u00eds que sempre foi jovem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 hora de compartilhar conhecimento e aprender com a experi\u00eancia de quem j\u00e1 se ocupa de cuidar ou apoiar idosos, sejam seus progenitores ou amigos.<\/p>\n\n\n\n<p>Entender a velhice e suas demandas faz parte da prepara\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para se construir uma sociedade apta a proporcionar condi\u00e7\u00f5es de vida dignas para o idoso, fazendo o dever de casa para quando chegar a nossa vez.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 quest\u00f5es fundamentais para se refletir:<\/p>\n\n\n\n<ul><li>Como conseguir um interesse coletivo mais amplo por pensar e trazer solu\u00e7\u00f5es para o tema do envelhecimento, no Brasil dos dias de hoje?<\/li><li>Como formar lideran\u00e7as para as transforma\u00e7\u00f5es e realizadores das mudan\u00e7as necess\u00e1rias?<\/li><li>Como criar pol\u00edticas p\u00fablicas garantidoras das condi\u00e7\u00f5es para um envelhecimento ativo?<\/li><li>Como educar as pessoas para cada um fazer a sua parte, tendo um estilo de vida saud\u00e1vel com vistas a n\u00e3o sobrecarregar as futuras gera\u00e7\u00f5es?<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>S\u00e3o muitas perguntas por responder e \u00e9 preciso buscar as solu\u00e7\u00f5es. Conhecer a velhice mundo afora \u00e9 uma forma de come\u00e7ar.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Agradecimentos<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>A Nenem, que me proporcionou a oportunidade de conhecer a velhice antes de envelhecer.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>A Maristela Velloso, pela paci\u00eancia de<\/em> <em>me ouvir ainda sendo jovem e por me acompanhar na aventura de sonhar uma velhice melhor.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>A Ina Wolcker, que me encorajou a dar ares de pesquisa a esta viagem que acabou se tornando apenas um jeito de observar a velhice mundo afora.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>A Alexandre, Bruna e Priscila que ficam na torcida para que eu entre feliz neste mundo prateado.<\/em><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/martapessoa.blog.br\/index.php\/velhice-mundo-afora\/\">\u00cdndice<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Envelhecer \u00e9 uma coisa nova, no Brasil. 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