{"id":119,"date":"2020-10-13T15:59:54","date_gmt":"2020-10-13T18:59:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.longevos.com.br\/mp\/?p=119"},"modified":"2020-10-25T21:25:12","modified_gmt":"2020-10-26T00:25:12","slug":"namoros-na-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/martapessoa.blog.br\/index.php\/2020\/10\/13\/namoros-na-pandemia\/","title":{"rendered":"Namoros na pandemia"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap\">Nunca foi f\u00e1cil namorar. At\u00e9 onde a vista da minha mem\u00f3ria alcan\u00e7a, s\u00f3 consegue ver perrengue. Volto no tempo, para o meio da d\u00e9cada de 60 e lembro o n\u00f3 cego que era.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo inclu\u00eda v\u00e1rias etapas. Primeiro, vinha o flerte: olhares rec\u00edprocos, movidos pelo interesse f\u00edsico, sem conversa e ponto final. Depois, vinha o pedido formal, sempre feito pelo rapaz, para come\u00e7ar o namoro, pedido este analisado pelo conselho familiar. Cada fam\u00edlia tinha seu pr\u00f3prio manual de bons costumes que devia ser seguido \u00e0 risca para garantir o \u00fanico desfecho pretendido pelos pais: o casamento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As regras eram r\u00edgidas: conversas na varanda com porta aberta para uma sala onde a m\u00e3e era encarregada de ouvir os perigosos sil\u00eancios e de tossir para lembrar ao casal que deixasse as m\u00e3os quietas e usasse a boca s\u00f3 para tagarelar. Dias certos e poucos para a ida \u00e0 casa da mo\u00e7a, com toque de retirada, \u00e0s 22:00h, no m\u00e1ximo. O namoro tinha um timing para virar noivado e casamento. N\u00e3o t\u00e3o r\u00e1pido que pudesse parecer que a fam\u00edlia queria se livrar da mo\u00e7a, nem t\u00e3o longo que pudesse dar margem \u00e0 desist\u00eancia do rapaz. O decoro definia um prazo para se livrar de um namoro sem sal. Depois do fim, era de bom tom que a mo\u00e7a cumprisse uma quarentena. Namorar com outro, s\u00f3 depois de um ou dois meses. Nada de ficar de m\u00e3o em m\u00e3o, para n\u00e3o acabar \u201cfalada\u201d, diziam os especialistas casamenteiros.<\/p>\n\n\n\n<p>O tempo foi passando, o flerte foi virando paquera, depois <strong><em>crush<\/em><\/strong> ( tenho um abuso t\u00e3o grande desta palavra :-), os manuais foram rasgados juntos com os suti\u00e3s. A p\u00edlula anticoncepcional foi desvalorizando a virgindade na bolsa do sexo. A mulher entrou no mercado do trabalho, trazendo seu sal\u00e1rio para aliviar o medo que as fam\u00edlias tinham de bancar uma parente solteirona. O carit\u00f3 passou a ser escolha e n\u00e3o destino.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante um certo tempo deu para namorar de um jeito que parecia livre, f\u00e1cil. Mas, de um jeito insidioso, as d\u00favidas existenciais do final do s\u00e9culo foram fazendo estragos. O namoro achou novas formas de se complicar. Namorar como antes, tendo como final obrigat\u00f3rio um casamento era um droga. Mas namorar rejeitando, a priori, a id\u00e9ia de casar, idem. Dilemas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segue o ciclo e o jeito de namorar foi variando segundo a cultura, condi\u00e7\u00e3o social&nbsp; e intelectual. Surgiu uma novidade, largamente aceita, em alguns pa\u00edses, chamada <strong><em>dating. <\/em><\/strong>&nbsp;O Google nos conta que \u00e9 \u201csair para jantar com algu\u00e9m, apostando na possibilidade de ficar rom\u00e2ntica ou sexualmente interessados\u201d. Um prel\u00fadio de namoro que o cinema tratou de difundir e glamorizar. At\u00e9 no meu sert\u00e3o, o povo quer ter um <strong><em>date<\/em><\/strong> com seu <strong><em>crush<\/em><\/strong>!!&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A id\u00e9ia era boa, um jeito bacana de duas pessoas conversarem, com a possibilidade de engatarem marcha r\u00e9, caso n\u00e3o fosse o caso. N\u00f3s, brasileiros, com nossa mania de adapta\u00e7\u00e3o, eliminamos o jantar e passamos direto para a sobremesa, a ser experimentada na cama. Vi muitas mulheres reclamarem que n\u00e3o queriam queimar etapas mas precisavam fazer esta concess\u00e3o sob pena do homem sumir em busca de algu\u00e9m que topasse. A regra foi invertida, primeiro a gente transa, depois ver se quer paquerar, namorar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E namorar, foi ficando dif\u00edcil at\u00e9 de come\u00e7ar. Quando veio a pandemia, pensamos que ele fosse ser a primeira v\u00edtima fatal. Como ter crushs, dates e romance com distanciamento f\u00edsico? Mas sabe aquela hist\u00f3ria do \u00edmpeto da \u00e1gua de morro abaixo e fogo de morro acima, n\u00e9?&nbsp; Algum jeito ia aparecer para dar vaz\u00e3o ao desejo.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Cupido se modernizou e criou sua flecha virtual. H\u00e1 relatos inusitados de empresas que ajudam pessoas a encontrar, via internet, o seu par. Houve um aumento espantoso do n\u00famero de cadastrados. Muitos passaram a namorar online e se dizem satisfeitos em n\u00e3o ter encontros presenciais, logo de cara. O namoro no mundo virtual n\u00e3o sofre a press\u00e3o de sexo j\u00e1 no primeiro encontro. Os pombinhos podem usar mais tempo para conversar via aplicativos de comunica\u00e7\u00e3o, sem pressa, com tempo para se conhecerem melhor. \u00c9 poss\u00edvel compartilhar um jantar, um vinho, at\u00e9 mesmo um filme. Um esp\u00e9cie de namora \u00e0 moda antiga, onde o sexo s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel muito depois.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem diria que, sem poder sair de casa, fosse poss\u00edvel namorar? Quem se animar, \u00e9 s\u00f3 passear pela internet. Quem queria tentar mas ficava ref\u00e9m de uma certa vergonha, agora tem a desculpa perfeita, \u00e9 assim ou nada. Site de namoro, \u00e9 o que n\u00e3o falta.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nunca foi f\u00e1cil namorar. At\u00e9 onde a vista da minha mem\u00f3ria alcan\u00e7a, s\u00f3 consegue ver perrengue. Volto no tempo, para o meio da d\u00e9cada de 60 e lembro o n\u00f3 cego que era. 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