{"id":338,"date":"2020-07-13T22:02:00","date_gmt":"2020-07-14T01:02:00","guid":{"rendered":"https:\/\/martapessoa.blog.br\/?p=338"},"modified":"2020-10-30T12:05:53","modified_gmt":"2020-10-30T15:05:53","slug":"coracoes-partidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/martapessoa.blog.br\/index.php\/2020\/07\/13\/coracoes-partidos\/","title":{"rendered":"Cora\u00e7\u00f5es Partidos"},"content":{"rendered":"\n<p>Quem nunca levou um \u201cfora\u201d fenomenal, um p\u00e9 no traseiro, uma bela dispensada de algu\u00e9m que era o amor da sua vida? Quem nunca ficou sem ch\u00e3o, ouvindo uma desculpa esfarrapada que punha fim a um romance que se queria eterno? Quem j\u00e1 n\u00e3o se afundou numa \u201croedeira\u201d sem fim, numa dor de cotovelo arrasadora? Quem nunca alugou os ouvidos de amigos para queixas intermin\u00e1veis sobre o desfecho de um caso de amor? Quem j\u00e1 rasgou fotos, ou deletou posts das redes sociais, ou tentou apagar a laser as mem\u00f3rias de uma paix\u00e3o tatuada no bra\u00e7o?<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 quem diga que todos dever\u00edamos passar por isso, ao menos, uma vez na vida. Juram que s\u00f3 quem teve um amor interrompido contra sua vontade, pode evoluir e se tornar algu\u00e9m mais compassivo e emp\u00e1tico.&nbsp; Tenho c\u00e1 minhas d\u00favidas e acho que h\u00e1 jeitos menos doloridos de se chegar ao mesmo resultado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os motivos que tornam os&nbsp; fins de casos de amor dolorosos e imperdo\u00e1veis s\u00e3o v\u00e1rios e as rea\u00e7\u00f5es dos desprezados, idem. Lidar com a dificuldade da supera\u00e7\u00e3o pode n\u00e3o trazer crescimento mas, \u00e0s vezes, transforma os inconsol\u00e1veis em seres completamente diferentes do seu eu anterior, capazes de rea\u00e7\u00f5es antes impens\u00e1veis .<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 os que quebram carros, difamam seus ex, fazem m\u00fasicas lindas como \u201cAtr\u00e1s da Porta\u201d. H\u00e1 os que tentam se matar. H\u00e1 vingativos, capazes das piores crueldades, como zerar a conta banc\u00e1ria do sacana que o abandonou. H\u00e1 os que partem sem nada e os que saem deixando para tr\u00e1s montanhas de boletos a pagar. H\u00e1 quem se demite de empregos \u00f3timos, por pura incapacidade de seguir trabalhando em meio a l\u00e1grimas e solu\u00e7os. Uns acabam com suas economias, se endividam, perdem as r\u00e9deas da vida. Outros mudam de cidade. H\u00e1 quem recorra \u00e0s cirurgias pl\u00e1sticas, lipo aspira\u00e7\u00e3o, escovas progressivas, sobrancelhas micro pigmentadas; na expectativa de que uma nova imagem reacenda a chama apagada. Alguns saem feito loucos em busca daquela primeira namorada para soprar suas feridas. Muitos trocam de carro ou at\u00e9 de estilo de vida, viram hippie, experimentam&nbsp; viver em rep\u00fablicas ou topam at\u00e9 passar mais horas do dia nos bares do que em casa. H\u00e1 rea\u00e7\u00e3o de todo tipo para enfrentar o sofrimento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A mais interessante delas foi a do casal de artistas croatas, Olinka Vistica e Drazen Grubisic, produtora de filmes e escultor. Eles estiveram juntos por 4 anos e, ao se separarem, naquela fase de dividir os pertences, brincaram que deviam fazer uma exposi\u00e7\u00e3o que contasse o final do casamento. Anos depois, Drazen prop\u00f4s a Olinka, fazerem juntos, um museu para muitas pessoas contarem suas pr\u00f3prias hist\u00f3rias, atrav\u00e9s dos objetos ligados aos momentos mais marcantes delas.<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia prosperou. Eles come\u00e7aram a recolher objetos de amigos e pediram financiamento coletivo para montar a primeira exposi\u00e7\u00e3o, em 2006, em Zagreb.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim nasceu um dos museus mais originais do mundo: o Museum of Broken Relationships ou, numa tradu\u00e7\u00e3o livre, do Museu dos Relacionamentos Quebrados. E na minha: Museu dos Cora\u00e7\u00f5es Partidos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Seu acervo \u00e9 formado por doa\u00e7\u00f5es, vindas de todos os lugares do mundo, de objetos pessoais e do relato do papel que a pe\u00e7a teve no fim da hist\u00f3ria de amor. S\u00e3o os mais variados: cart\u00f5es postais, chaves, alian\u00e7as, sapatos, celulares, vestidos de noiva e at\u00e9 um machado, usado por algu\u00e9m que destruiu todos os m\u00f3veis da casa ap\u00f3s ter sido abandonado. A rea\u00e7\u00e3o das pessoas l\u00e1 dentro, \u00e9 um outro espet\u00e1culo. O espa\u00e7o se enche de l\u00e1grimas, risadas. As frases escutadas s\u00e3o \u00f3timas. \u201cFoi assim mesmo comigo\u201d. \u201cEu devia ter mandado para aqui toda a roupa que rasguei, daquele desgra\u00e7ado\u201d. \u201cPor que queimei&nbsp; aquelas cartas? Poderiam estar aqui, mostrando seus erros gramaticais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O Museu conta&nbsp; hist\u00f3rias rom\u00e2nticas, tr\u00e1gicas, tristes, banais mas todas elas remetem a momentos bastante conhecidos de todos n\u00f3s, de tristeza e desespero dos finais. Funciona no pal\u00e1cio barroco de Kulmer, na parte hist\u00f3rica de Zagreb.<\/p>\n\n\n\n<p>Falar sobre o desamor valeu ao Museum of Broken Relationships, v\u00e1rias vezes , o pr\u00eamio de museu mais inovador da Europa, exposi\u00e7\u00f5es itinerantes e uma franquia fora do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu site, al\u00e9m de \u00f3timas fotos, tem um mapa do n\u00famero de \u201ccora\u00e7\u00f5es partidos\u201d que fizeram suas doa\u00e7\u00f5es, e onde eles vivem. Vale visitar <a href=\"https:\/\/brokenships.com\/\">https:\/\/brokenships.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem nunca levou um \u201cfora\u201d fenomenal, um p\u00e9 no traseiro, uma bela dispensada de algu\u00e9m que era o amor da sua vida? Quem nunca ficou sem ch\u00e3o, ouvindo uma desculpa esfarrapada que punha fim a um romance que se queria eterno? Quem j\u00e1 n\u00e3o se afundou numa \u201croedeira\u201d sem fim, numa dor de cotovelo arrasadora? 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