{"id":452,"date":"2020-08-31T21:16:00","date_gmt":"2020-09-01T00:16:00","guid":{"rendered":"https:\/\/martapessoa.blog.br\/?p=452"},"modified":"2020-10-29T22:01:00","modified_gmt":"2020-10-30T01:01:00","slug":"as-novas-feiras-literarias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/martapessoa.blog.br\/index.php\/2020\/08\/31\/as-novas-feiras-literarias\/","title":{"rendered":"As novas feiras liter\u00e1rias"},"content":{"rendered":"\n<p>Pipocam an\u00fancios de feiras liter\u00e1rias virtuais, nas redes sociais. Elas s\u00e3o o mais novo e discut\u00edvel fen\u00f4meno do momento. Reformularam o conceito das antigas que aconteciam no mundo f\u00edsico e viraram febre. Nessas novas, tudo pode ser virtual, inclusive os escritores. J\u00e1 ouvi falar do rob\u00f4 DukaAff, desenvolvido no Jap\u00e3o, que tem um bilh\u00e3o de leitores e sabe-se l\u00e1 como s\u00e3o feitos seus textos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Que significa mesmo essa virtualidade?<\/p>\n\n\n\n<p>Eu escrevo, profissionalmente, h\u00e1 60 anos, desde quando a av\u00f3 do Zuckerberg era criancinha. N\u00e3o tenho lembran\u00e7a de ter visto mais que 2 eventos liter\u00e1rios se realizando, num mesmo m\u00eas. Hoje, 20 desses acontecem a cada hora. Essa fartura me confunde. Para ser honesto, me deixa bem aborrecido, p da vida, diria. Farejo embuste.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembro do Caetano, perplexo com as inumer\u00e1veis bancas de revistas que apinhavam as cal\u00e7adas nos anos 70, perguntando em sonoros acordes: quem l\u00ea tanta not\u00edcia? Tivesse eu seu talento, minha incompreens\u00e3o com esse tipo de feira, viraria um hit, berrando espanto. De onde vem tanto texto para tanta feira?!<\/p>\n\n\n\n<p>No meu tempo \u2013 tenho orgulho dele, orgulho de ter 80 anos, de ter usado com a mesma maestria l\u00e1pis, caneta tinteiro e agora teclado para produzir cr\u00f4nicas de qualidade \u2013 l\u00e1 atr\u00e1s, bastavam os dedos das m\u00e3os do Lula para se contar os grandes cronistas deste pa\u00eds. Hoje, nem um algoritmo de c\u00e1lculo num\u00e9rico pode determinar a quantidade exagerada de quem escreve e, pasmem, publica. Que tanta gente \u00e9 essa, escrevendo tanto?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o quero parecer superior, embora ache que eu mere\u00e7a ver minha obra entendida e respeitada. Entendo que \u00e9 pedir demais aos ansiosos jovens, programados para um&nbsp;<em>shut down<\/em>&nbsp;ap\u00f3s a leitura de 180 caracteres, que gastem seu tempo com a meia d\u00fazia de par\u00e1grafos que eu redijo. Esse formato n\u00e3o os atrai, demanda reflex\u00e3o. Acho compreens\u00edvel o choque geracional. Empatamos, eu tamb\u00e9m n\u00e3o engulo os autores do Facebook et caterva.<\/p>\n\n\n\n<p>Critico a farra liter\u00e1ria n\u00e3o s\u00f3 por achar injusta a concorr\u00eancia. \u00c9 mais que isso. Temo a banaliza\u00e7\u00e3o da escrita. Receio que textos capengas, sem respeito \u00e0 gram\u00e1tica, sem capacidade de emocionar o leitor, sejam passados adiante como literatura. Tremo ao pensar no tanto de lixo exposto nessas feiras que infestam nossas timelines. Tomara que caiam logo de moda, elas e seus arremedos de escritores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Vou ao Facebook sem muita vontade e sempre perco a viagem. N\u00e3o li ainda, nas tais feiras de l\u00e1, nada que acrescentasse algum mist\u00e9rio \u00e0 minha exist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Autor: Eu L\u00edrico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Nota v\u00e1lida para todos os textos: nem sempre o que conto foi vivido. Uso e abuso do direito de fantasiar e inventar hist\u00f3rias.<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pipocam an\u00fancios de feiras liter\u00e1rias virtuais, nas redes sociais. Elas s\u00e3o o mais novo e discut\u00edvel fen\u00f4meno do momento. Reformularam o conceito das antigas que aconteciam no mundo f\u00edsico e viraram febre. Nessas novas, tudo pode ser virtual, inclusive os escritores. 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