{"id":507,"date":"2020-07-12T17:14:00","date_gmt":"2020-07-12T20:14:00","guid":{"rendered":"https:\/\/martapessoa.blog.br\/?p=507"},"modified":"2020-10-31T05:30:02","modified_gmt":"2020-10-31T08:30:02","slug":"507","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/martapessoa.blog.br\/index.php\/2020\/07\/12\/507\/","title":{"rendered":"Arrumando arm\u00e1rios"},"content":{"rendered":"\n<p>Renato Ribeiro Coutinho foi um paraibano nascido pelos idos dos 1900. N\u00e3o o conheci pessoalmente mas ele foi uma das figuras mais ic\u00f4nicas da minha inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, em Jo\u00e3o Pessoa (1953-1970).<br \/>Dele, sempre soube muito pouco. N\u00e3o sabia onde nasceu, se estudou ou o que estudou, se era simp\u00e1tico, generoso, feio ou bonito. Sabia apenas o essencial: era rico, morava numa casa de rico e era usineiro. Este \u00faltimo atributo, hoje \u00e9 meio nebuloso devido ao meu desconhecimento da economia paraibana daqueles tempos. Mas, na \u00e9poca, usineiro para mim era uma esp\u00e9cie de Warren Buffet de hoje, um tycoon, um mega-blaster-rico. E ser filha dele podia significar a realiza\u00e7\u00e3o imediata de todos os sonhos. O mais importante deles era o de poder estudar, desde cedo, na Su\u00ed\u00e7a ( ah, nossas tolas fantasias \u263a ), como sua simp\u00e1tica filha, algu\u00e9m a quem conheci de leve, j\u00e1 na vida adulta. At\u00e9 hoje n\u00e3o sei se a educa\u00e7\u00e3o principesca era lenda, na Jo\u00e3o Pessoa de ent\u00e3o, ou inven\u00e7\u00e3o da minha cabe\u00e7a cheia de vontade de ganhar o mundo e aprender muitas coisas diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato \u00e9 que este senhor, t\u00e3o distante social e financeiramente de mim, transitou pela minha vida durante anos. E, aposto, que na de muitos pessoenses da minha gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele foi o personagem usado por muitas das fam\u00edlias de classe m\u00e9dia para incutir nos filhos o gosto pela parcim\u00f4nia no consumo. N\u00e3o por similaridade mas por oposi\u00e7\u00e3o. Uma esp\u00e9cie de farol sempre sinalizando o que n\u00e3o estava ao alcance dos nossos or\u00e7amentos. A cada pedido por um sapato novo, uma bola de v\u00f4ley de couro, discos, livros ou at\u00e9 mesmo pirulitos de moda, se recebia de volta, o lembrete de sempre: \u201cVoc\u00ea pensa que \u00e9 filha de Renato Ribeiro Coutinho?!!!\u201d. E sa\u00edamos conscientes de que s\u00f3 se gasta quando se tem. Com um certo sentimento de culpa por pedir coisas que talvez nem precis\u00e1ssemos.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, arrumando meu arm\u00e1rio de sessentona de classe m\u00e9dia, eu me perguntei: \u201dQuando foi que comecei a achar que era filha de Renato Ribeiro Coutinho e pensei que podia comprar mais de 2 bolsas, ainda que nas liquida\u00e7\u00f5es?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, vendo a sociedade discutir o consumo consciente e incentivar o minimalismo dos pertences, penso no papel importante, mesmo que enviesado, que Renato Ribeiro teve na minha vida. Um estranho s\u00edmbolo que se perenizou e ainda me norteia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ah, o Google me disse, em 5 minutos, muito do que n\u00e3o soube dele em muitas d\u00e9cadas. <\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.fgv.br\/cpdoc\/acervo\/dicionarios\/verbete-biografico\/renato-ribeiro-coutinho\">http:\/\/www.fgv.br\/cpdoc\/acervo\/dicionarios\/verbete-biografico\/renato-ribeiro-coutinho<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>E, para surpresa minha, temos um sobrenome em comum. Numa leve reca\u00edda, fiquei pensando nos muitos sonhos de consumo que eu poderia ter realizado \u263a Por um minuto, me vi fazendo parte dessa turma da foto, do Coll\u00e8ge du L\u00e9man, na Su\u00ed\u00e7a. Mas s\u00f3 por um minuto. N\u00e3o trocaria por nada a minha turma das Lourdinas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Renato Ribeiro Coutinho foi um paraibano nascido pelos idos dos 1900. 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