{"id":541,"date":"2020-07-28T11:58:00","date_gmt":"2020-07-28T14:58:00","guid":{"rendered":"https:\/\/martapessoa.blog.br\/?p=541"},"modified":"2020-10-30T12:21:32","modified_gmt":"2020-10-30T15:21:32","slug":"paixao-por-rede","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/martapessoa.blog.br\/index.php\/2020\/07\/28\/paixao-por-rede\/","title":{"rendered":"Paix\u00e3o por Rede"},"content":{"rendered":"\n<p>A rede devia ser al\u00e7ada \u00e0 categoria de patrim\u00f4nio cultural material do sertanejo.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 tristeza, dor de cotovelo, espinhela ca\u00edda, dor de trupic\u00e3o, bucho inchado, esfraquecimento ou uma raiva da mulinga que n\u00e3o se esvaia com um cochilinho de meia hora numa rede.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O ideal \u00e9 arm\u00e1-la onde passe um vento encanado, perto de uma parede ao alcance do ded\u00e3o do p\u00e9 para dar impulso ao balancinho que vai ninar o sono perfeito. O toque p\u00f5e esse bercinho dos deuses quase que em moto perp\u00e9tuo e a gente entra em comunh\u00e3o com a paz dos pregui\u00e7osos.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma rede cheirosinha acolhe e relaxa. At\u00e9 mulher perto de parir acha conforto para a lordose. Melhor ainda, ela nem precisa de m\u00e3os alheias para atender aos ditames da bexiga sempre cheia. As varandas, preferencialmente de croch\u00ea tecido por uma av\u00f3, s\u00e3o a alavanca que d\u00e1 autonomia. Conhecer essa felicidade devia ser artigo constante da declara\u00e7\u00e3o dos direitos das gr\u00e1vidas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O balan\u00e7o da rede n\u00e3o atrapalha nada. D\u00e1 pra ler, ver filmes, chorar, fumar escondido, batucar um notebook. A gente se deita e milagres acontecem: o c\u00f4ncavo que molda nossa coluna deixa tamb\u00e9m o nosso olhar pid\u00e3o, viramos seres merecedores de cuidado. Notaram que todo mundo come\u00e7a a balan\u00e7ar uma rede que tenha algu\u00e9m dentro?<\/p>\n\n\n\n<p>Os que tiveram a sorte de se aninhar numa delas, desde beb\u00eas, s\u00e3o os experts. Os bambas que sabem dormir com len\u00e7ol e travesseiro, como se estivessem numa cama super hiper king. Uma rede \u00e9 uma cama feita por deuses.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou ser\u00e3o elas mesmas as deusas do amor? Quem passou por todas as etapas de um namoro daqueles bem chegados, sente at\u00e9 o arrepio da lembran\u00e7a e sabe do que eu falo. P\u00eandulo a favor do prazer.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas se algum desatento aparentado com o demo, com a cabe\u00e7a no mundo dos idiotas, arma uma rede sem alinhar os cord\u00f5es do punho, pode botar a perder toda a magia. Vejam o desmantelo da foto \u00e0 esquerda. Punhos assim deixam a rede \u201cpensa\u201d, troncha, magoada, sem alma, com \u00e2nsia de desequilibrar quem ali se deite. O&nbsp;balan\u00e7o vira labirintite.<\/p>\n\n\n\n<p>Sangue sertanejo ferve quando v\u00ea um mal trato desses com seu patrim\u00f4nio cultural. Quem n\u00e3o entende da arte de tirar deleite dele que se sente l\u00e1 em cadeiras com design inimigo do repouso e deixe nossas redes em paz.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A rede devia ser al\u00e7ada \u00e0 categoria de patrim\u00f4nio cultural material do sertanejo. 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